Em algum momento, todos nós já sentimos que algo dentro de nós mesmos estava indo na direção oposta de nossos objetivos. Essa sensação desconfortável é conhecida como autossabotagem. Ainda que pareça contraditório, a mente encontra formas de criar obstáculos quando enfrentamos mudanças, desafios ou até mesmo conquistas.
Nossa experiência mostra que reconhecer padrões de autossabotagem é um passo fundamental para interromper ciclos destrutivos e criar condições para escolhas mais alinhadas com nosso bem-estar e desenvolvimento.
Comportamentos autossabotadores: o que são e por que surgem?
Antes de destrinchar os sinais, precisamos entender do que estamos falando. Autossabotagem se manifesta através de escolhas, emoções e atitudes que, muitas vezes de forma inconsciente, minam ou impedem a realização de algo que desejamos. Não é falta de vontade nem incapacidade, e sim um mecanismo de defesa que, em geral, serve para proteger a pessoa de uma sensação de ameaça, rejeição ou fracasso.
Segundo pesquisas e relatos de profissionais de saúde mental, é comum encontrarmos raízes da autossabotagem nos seguintes pontos:
- Crenças limitantes desenvolvidas desde a infância;
- Medo de julgamento e rejeição;
- Dificuldade em lidar com mudanças e sucessos;
- Padrões emocionais inconscientes.
Quando temos clareza dos sinais, a transformação começa a ser possível.
1. Procrastinação constante
Adiar tarefas pode parecer algo trivial, mas a procrastinação contínua é um dos sinais mais claros de autossabotagem. Sempre encontramos uma desculpa “válida” para deixar para amanhã o que sabíamos ser necessário hoje.
Procrastinar não significa preguiça, mas sim uma resistência ao desconforto de agir.
Nós testamos estratégias para contornar esse padrão, como dividir tarefas grandes em pequenas etapas, criar compromissos públicos (compartilhar com alguém nossa intenção) e ajustar a exigência de perfeição. A aceitação do progresso, mesmo que lento, encoraja a ação.
2. Autocrítica excessiva
Sabe quando olhamos para uma conquista e, em vez de comemorar, nos concentramos no que faltou ou no que “não ficou bom o suficiente”? Isso vai além de buscar aprimoramento. A autocrítica constante desqualifica avanços e reforça a crença de incapacidade.
Ser autocrítico impede o reconhecimento do próprio valor e perpetua sentimentos de frustração.
Um caminho possível é treinar o olhar para aquilo que foi realizado, por menor que seja. Celebrar etapas concluídas, ainda que não perfeitas, fortalece a autoconfiança e permite avanços mais consistentes.
3. Medo de errar ou de tentar
O medo do fracasso pode ser paralisante. Muitas vezes, deixamos de nos candidatar a uma vaga, de apresentar uma ideia ou de fazer escolhas diferentes por receio do erro ou do julgamento.

Para lidar com esse sinal, propomos questionar crenças internas e buscar referências de situações em que já superamos pequenas dificuldades. Muitas vezes, o erro é só um passo na direção de novos aprendizados.
O medo de errar precisa ser compreendido como medo do desconhecido, e não como incapacidade real.
4. Justificativas automáticas e racionalizações
Nosso cérebro é especialista em inventar razões “lógicas” para postergar mudanças. Sempre encontramos boas explicações para não iniciar algo novo, adiar uma decisão importante ou recusar oportunidades.
Em nossa prática, notamos que anotar essas justificativas ajuda a tornar consciente o padrão. Compreender o movimento por trás da racionalização é o que permite escolher ir além dela, mesmo sentindo desconforto inicial.
5. Dificuldade em aceitar elogios
Negar elogios é uma expressão silenciosa de autossabotagem. Já presenciamos pessoas rebaterem comentários positivos com frases como “não foi nada”, “qualquer um faria melhor”, ou se desculpando pelo resultado atingido. Esse comportamento impede a construção de autoestima saudável.
Para virar o jogo, sugerimos um treino prático: quando receber elogio, agradeça e pause. Depois, reflita sobre os motivos desse reconhecimento. Essa abertura reconecta a pessoa com suas próprias qualidades.
6. Automensagens negativas e autodesvalorização
A repetição de frases como “não sou bom nisso”, “nunca vou conseguir”, “é só questão de tempo até descobrirem que sou uma fraude” fortalece ciclos de limitação. Esse é um dos sinais mais silenciosos de autossabotagem.
Transformar esse padrão passa pelo exercício diário de identificar pensamentos negativos e, conscientemente, substituí-los por frases mais honestas e equilibradas, como “posso aprender com dificuldades” ou “já enfrentei desafios parecidos antes”.

7. Autossabotagem nas relações interpessoais
Em muitos casos, a pessoa pode recorrer inconscientemente a afastar parceiros, amigos ou colegas, criar conflitos desnecessários ou se isolar em momentos de sucesso.
Autossabotagem se infiltra até nos vínculos que mais prezamos.
Reconhecer esse padrão exige coragem para olhar para as próprias emoções. Sugerimos abrir espaço para conversas sinceras e, se necessário, buscar suporte profissional para reconstruir relações com base em confiança e parceria.
Como separar autossabotagem de outros fatores?
É fundamental ressaltar que nem toda dificuldade, atraso ou erro se trata de autossabotagem. Pesquisas divulgadas por estudos orientados ao tema da inferência correta mostram que algumas conclusões precipitadas podem ser armadilhas. Ou seja, é preciso olhar com honestidade para a situação, buscando diferenciar crenças pessoais de imposições externas e avaliar se o padrão se repete ao longo da vida.
Conclusão
Autossabotagem pode ser um desafio recorrente, mas não é uma sentença definitiva. Quando reconhecemos os sinais e acolhemos com honestidade nossas resistências, começamos a lidar melhor com as emoções e escolher caminhos alinhados aos nossos valores. O processo é gradual, parte da experiência de viver e amadurecer. A cada pequena vitória, redescobrimos o poder que temos de avançar sem abrir mão do autocuidado.
Perguntas frequentes sobre autossabotagem
O que é autossabotagem?
Autossabotagem é o conjunto de comportamentos, pensamentos e emoções que impedem uma pessoa de alcançar seus próprios objetivos ou expressar seu potencial de maneira saudável. Esses padrões geralmente agem de maneira inconsciente, surgindo na forma de procrastinação, autocrítica, medo de errar ou afastamento dos próprios desejos.
Quais são os principais sinais de autossabotagem?
Os sinais mais comuns incluem procrastinação frequente, autocrítica intensa, medo exagerado de errar, dificuldade em aceitar elogios, racionalizações para não agir, automensagens negativas constantes e problemas recorrentes em relacionamentos interpessoais.
Como posso evitar a autossabotagem?
Evitar a autossabotagem envolve autoconhecimento, identificação dos padrões recorrentes e prática de novas formas de agir perante desafios. Buscar apoio emocional, registrar pensamentos automáticos e valorizar pequenas conquistas pode ajudar a construir uma relação mais saudável consigo mesmo.
Autossabotagem tem tratamento psicológico?
Sim, a autossabotagem pode ser acolhida e tratada com acompanhamento psicológico. O suporte profissional oferece ferramentas para entender a origem dos padrões autossabotadores e desenvolver estratégias para superá-los, promovendo mudanças efetivas na forma de pensar e agir.
Por que nos autossabotamos mesmo sabendo disso?
Mesmo conscientes do padrão, muitas vezes mantemos a autossabotagem por se tratar de mecanismos profundamente enraizados. O desconforto das mudanças, o medo do fracasso e crenças limitantes atuam em níveis emocionais difíceis de transformar apenas com força de vontade. Por isso, o processo exige prática, paciência e, por vezes, busca de suporte especializado.
